😭💔As tempestades que marcaram sua vida — aquelas cheias
Após o funeral de Rosita, o céu já não rasgava-se em lágrimas. As tempestades que marcaram sua vida — aquelas cheias que a acolheram no nascimento e a violência de um país que a usou como símbolo — já tinham passado. Mas o silêncio que ficou parecia ainda mais pesado que qualquer chuva. 🌤️💔
Rosita nasceu no meio das cheias, em cima de uma árvore, numa época em que todo o país a olhava como milagre, como esperança. Fotógrafos registraram seu rosto, jornalistas escreveram manchetes, políticos a transformaram em troféu. Prometeram mundos e fundos, falaram de futuro, de oportunidades, de proteção. Mas o tempo passou, e a promessa evaporou-se no ar quente da indiferença. Cresceu longe dos holofotes, sem acompanhamento, sem o mínimo que uma criança que simbolizou a resistência de um povo mereceria. Cresceu ouvindo sussurros de um país que a aplaudia, mas nunca a amparou.
Hoje, ela parte. Sem sirenes, sem discursos oficiais, sem flores de plástico ou discursos ensaiados. As tempestades que a acompanharam já passaram, e o país não se lembra mais dela. Só resta o chão duro, a terra que cobre seu corpo, e o vento que atravessa quem ficou para assistir em silêncio.
Rosita não precisava de ser lembrada na morte. Precisava ter sido cuidada em vida. Precisava de atenção, de cuidado, de amor verdadeiro. Precisava que os que a transformaram em símbolo assumissem alguma responsabilidade. Mas nada disso aconteceu. A sociedade olhou para ela como espetáculo, e agora, diante da ausência, nada resta além do vazio.
Que o nome Rosita não seja apenas mais uma história triste. Que ele seja lembrado como alerta. Que nos lembre que abandonar uma criança é abandonar também a memória, o futuro e a humanidade de um país inteiro.
Que cada lembrança sua desperte consciência. Que cada silêncio seja ouvido como grito. Que cada coração que ainda acredita em justiça sinta que a história de Rosita é a história de todos nós — de um país que falhou, mas que ainda pode aprender a cuidar daqueles que simbolizam sua esperança.
Rosita não precisa de lágrimas agora. Ela precisa de memória. De mudança. De um país que finalmente aprenda que os símbolos não vivem de discursos — vivem de cuidado, proteção e amor.

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