CHAPO VOLTA A ATRIBUIR CRISE PÓS-ELEITORAL DE 2024 A "OBRA EXTERNA" NA ONU – NOVA IORQUE.


 

O Presidente da República, Daniel Chapo, voltou a abordar a violência que se seguiu às eleições gerais de 2024, desta vez a partir dos Estados Unidos da América, onde se encontra para participar na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo apurou este órgão, o Chefe de Estado afirmou que os acontecimentos registados no país após o escrutínio de 9 de Outubro de 2024 resultaram de uma "obra externa" destinada a forçar a alternância do poder em Moçambique.


A declaração surge no âmbito da presença de Chapo em Nova Iorque, onde o estadista tem participado numa intensa agenda paralela ao Debate Geral da ONU, incluindo encontros com o Secretário-Geral António Guterres, com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com investidores internacionais, num roteiro centrado sobretudo na apresentação de reformas económicas e oportunidades de investimento no país.


Uma tese já conhecida


A ligação entre a crise pós-eleitoral e uma suposta agenda externa não é nova no discurso de Chapo. Em Fevereiro de 2025, por ocasião da cerimónia de apresentação de cumprimentos pelo corpo diplomático acreditado em Moçambique, o Presidente já classificara as manifestações convocadas pelo então candidato derrotado Venâncio Mondlane como uma "agenda externa" com o objectivo de criar caos para permitir a dilapidação dos recursos naturais estratégicos do país. Em Abril desse mesmo ano, o Comité Central da Frelimo, reunido na Matola, chegou a conclusão semelhante, apontando um "plano concreto" para desestabilizar o país e provocar retrocesso económico.


Ao repetir esta leitura em solo norte-americano e perante uma plateia internacional, Chapo parece reforçar a tentativa de enquadrar, junto da comunidade internacional, a crise que se seguiu às VII eleições gerais como resultado de ingerência externa e não de contestação legítima aos resultados eleitorais, uma narrativa que colide com as posições assumidas na altura por observadores internacionais.


As eleições gerais de 9 de Outubro de 2024 deram vitória a Chapo e à Frelimo, resultado posteriormente ajustado pelo Conselho Constitucional, que reduziu a votação do candidato da Frelimo para 65,17% e elevou a de Mondlane para 24,19%. A oposição, liderada por Mondlane e pelo partido Podemos, nunca reconheceu os resultados, alegando fraude, com o apoio de organizações como a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia, que reportou irregularidades no processo.


Os protestos que se seguiram, entre Outubro de 2024 e Março de 2025, estenderam-se pelas capitais provinciais do país e resultaram em centenas de mortos, feridos e detidos, além de prejuízos económicos avultados, segundo dados avançados pelo próprio Governo em Abril de 2025, superiores a 32,2 mil milhões de meticais, com mais de 50 mil postos de trabalho perdidos. A crise só viria a ser parcialmente apaziguada com um acordo de amnistia para manifestantes, assinado a 23 de Março de 2025, no quadro de um diálogo político nacional entretanto instituído.

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